Os 40 dias de bombardeios de Israel e dos Estados Unidos (EUA) contra o Irã danificaram 125 mil unidades civis, sendo 100 mil residências, em todo o país persa. Foram atingidas ainda 32 universidades e 339 unidades de saúde.
Os dados foram apresentados nesta sexta-feira (10) pela organização não governamental (ONG) Crescente Vermelho, que atua com resgates humanitários em diversos países árabes.
“Algumas delas foram completamente destruídas, enquanto outras estão danificadas. Esses são documentos que enviaremos posteriormente às organizações internacionais”, informou Pir-Hossein Kolivand, presidente do Crescente Vermelho no país, em entrevista à mídia iraniana TV SNN.
Kolivand explicou que, do total, são 23 mil unidades comerciais. Entre os centros médicos, estão incluídos hospitais, farmácias, laboratórios, centros de saúde e de emergência. “Algumas foram desativadas, enquanto outras foram reativadas. Por exemplo, o Hospital Khatam foi reativado em menos de 24 horas”, completou.
A organização, que atua no Irã com mais de 28 mil trabalhadores, acrescentou que 857 escolas e 20 centros da Crescente Vermelha foram alvejados pelos bombardeios.
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Um dos ataques foi contra a Universidade de Tecnologia Sharif, em Teerã, principal instituição do país da área de tecnologia e engenharia. Em resposta, 36 universidades do país emitiram nota condenando esses ataques.
“Exortamos todas as instituições religiosas, científicas, universitárias e culturais do mundo a se levantarem com uma só voz contra essas violências e a não permitirem que os direitos fundamentais da humanidade sejam sacrificados pelas ambições desmedidas das potências agressoras”, diz comunicado das universidades iranianas.
Crime de guerra
O ataque contra infraestrutura civil é condenado pelo direito internacional. Ainda assim, o presidente dos EUA, Donald Trump, chegou a ameaçar destruir o Irã, o que configuraria crime de genocídio.
Por outro lado, o secretário de Estado, Marco Rubio, ponderou, em algumas situações, que ataques à infraestrutura civil podem ser “efeitos colaterais” dos combates.
O jornalista e especialista em geopolítica Anwar Assi avalia que o alto número de unidades civis atacadas no Irã, em Gaza e no Líbano indicam que não se trata de efeito colateral da guerra, mas de uma estratégia deliberada.
“É um crime de guerra e pretendem, com isso, pressionar e aterrorizar a população civil, mostrando que eles vão atacar e não vai ter ninguém para ajudar. Isso é uma estratégia que Israel usa desde a década de 1990”, afirmou.
Israel ainda não se manifestou sobre os ataques à infraestrutura civil no Irã, mas costuma justificar ataques a escolas, hospitais e outras estruturas civis, alegando que elas estariam sendo usadas para fins militares, como é recorrente na Faixa de Gaza e no Líbano.
O Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF2) negou recurso da União e manteve a decisão liminar, ou seja, de caráter provisório, que proíbe a alíquota de 12% de imposto de exportação de petróleo.
A decisão é da desembargadora federal Carmen Silvia Lima de Arruda, da Quarta Turma Especializada, em despacho assinado pouco antes das 22h da quinta-feira (9).
A Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN), órgão jurídico vinculado ao Ministério da Fazenda, havia interposto o recurso, chamado de agravo de instrumento, contra uma decisão de primeira instância, tomada na terça-feira (7).
A decisão liminar atendia o pleito de cinco empresas multinacionais de petróleo: Total Energies (França), Repsol Sinopec (Espanha e China), Petrogal (Portugal), Shell (anglo-holandesa) e Equinor (Noruega).
Ao analisar o agravo de instrumento, a desembargadora Carmen Lima de Arruda entendeu que a Fazenda Nacional “falhou em demonstrar o risco de perigo concreto, grave e atual emergente da manutenção da decisão agravada, não se vislumbrando prejuízo em aguardar o julgamento final”.
O TRF2 ainda não marcou a data do julgamento definitivo da questão.
Entenda o caso
A cobrança de 12% de Imposto de Exportação consta na Medida Provisória (MP) 1.340/2026, publicada em 12 de março.
A MP foi editada pelo governo como uma tentativa de conter à escalada no preço de derivados de petróleo no país, notadamente o óleo diesel, em meio à guerra no Oriente Médio, que levou distúrbios à cadeia produtiva do petróleo, diminuindo a oferta do óleo.
O imposto de exportação compensaria a queda de arrecadação provocada pela zeragem das alíquotas do PIS e da Cofins, tributos federais que incidem sobre o óleo diesel. Com alíquota zero, os preços poderiam chegar mais baratos ao consumidor final. Outro efeito seria o desestímulo para que as exportadoras vendessem petróleo para fora do país.
O governo promoveu também subvenção (espécie de reembolso) para incentivar importadores e produtores de diesel que não vendessem aqui no país o diesel a preços maiores que os determinados.
As companhias exportadoras de petróleo que se sentiram prejudicadas alegam que o imposto tinha finalidade “meramente arrecadatória”, ferindo o princípio da anterioridade, que proíbe a cobrança de tributos sem um tempo mínimo determinado.
Em primeira instância, o juiz federal Humberto de Vasconcelos Sampaio, da 1ª Vara Federal do Rio de Janeiro, atendeu o pedido das cinco multinacionais.
Recurso
Ao recorrer da decisão, a Fazenda Nacional argumentou, entre outros pontos, que a cobrança questionada não incorreu em qualquer desvio de finalidade, estando justificada no cenário internacional da guerra deflagrada no Oriente Médio, “diante do aumento drástico do preço do barril de petróleo e da escassez deste produto, com potenciais efeitos deletérios sobre a economia nacional”.
“Tem como função primordial a regulação do comércio exterior e a proteção do mercado interno”, sustenta a Fazenda Nacional.
Inflação de combustíveis
A alta no preço dos combustíveis, pano de fundo da discussão na Justiça Federal, teve uma face revelada nesta sexta-feira pelo termômetro do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a chamada inflação oficial do país.
A inflação de março foi de 0,88%, puxada principalmente pelo grupo transportes. O item combustíveis subiu 4,47%. A gasolina, que em fevereiro tinha 0,61%, subiu 4,59% em março. O diesel passou de aumento de 0,23% em fevereiro para 13,90% em março.
Na última segunda-feira (6) o governo lançou um pacote de medidas para conter a alta no preço dos combustíveis. As medidas tratam de subsídios para diesel e gás de cozinha, além da redução de impostos e apoio ao setor aéreo.
A Prefeitura de Ubatuba informa que o resultado final das análises laboratoriais confirmou o diagnóstico de meningite na criança atendida na Rede Municipal de Saúde de Ubatuba.
A criança deu entrada na Santa Casa na madrugada da última segunda-feira,06. Desde o momento da admissão, foram adotados todos os protocolos e fluxos de atendimento previstos para casos suspeitos, conforme estabelecido pelas normas de saúde, com atuação conjunta da equipe médica e da vigilância. Informações detalhadas sobre sintomas e a cronologia do diagnóstico estão sendo tratadas com cautela técnica, a fim de assegurar a precisão dos dados epidemiológicos.
Os índices para crianças de até dois anos permanecem dentro do esperado. Em 2025, a vacinação contra meningite nesta faixa etária alcançou aproximadamente 96%. Em 2026, dados preliminares referentes ao mês de fevereiro apontam cobertura de 81%, mantendo a regularidade da imunização, que integra o calendário básico infantil.
Não há registro de falta de imunizantes. A atenção das autoridades de saúde está voltada à adesão à dose de reforço da vacina meningocócica ACWY, destinada a adolescentes de 11 e 12 anos. O município realiza ações de vacinação em escolas, mas a cobertura nessa faixa etária enfrenta limitações relacionadas ao não envio da caderneta de vacinação e à ausência de autorização assinada pelos responsáveis. A ampliação da adesão depende do envolvimento das famílias nesse processo.
A Secretaria de Saúde informa que não há caracterização de surto da doença no município. O caso segue sendo acompanhado conforme os protocolos técnicos, com monitoramento contínuo e adoção das medidas necessárias.
Obs. Devido à LGPD, não informaremos detalhes como nome e idade da vítima.
As Forças de Defesa de Israel (FDI) emitiram alerta para evacuação de toda a área densamente povoada de Al-Janah (ou Jnah), em Beirute, capital do Líbano, onde estão dois dos maiores hospitais do país, o Hospital Universitário Rafik Hariri e o Hospital Al Zahraa. A ação foi condenada pela Organização Mundial da Saúde (OMS).
“Neste momento, não há instalações médicas alternativas disponíveis para receber aproximadamente 450 pacientes dos dois hospitais (incluindo 40 pacientes na UTI), tornando a evacuação operacionalmente inviável”, afirmou o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom.
O chefe da organização acrescentou que as instalações estão operando em capacidade máxima e que a zona que Israel mandou evacuar também abrange o complexo do Ministério da Saúde do Líbano, que abriga mais de 5 mil pessoas refugiadas da guerra.
“Exorto Israel a reverter essa ordem e garantir a proteção de todas as instalações de saúde, trabalhadores de saúde, pacientes e civis”, completou Tedros.
A OMS alerta que os hospitais do Líbano estão sobrecarregados após um dos dias mais mortais na recente escalada, quando Israel lançou bombardeios massivos em diversas partes do país, matando 303 pessoas e ferindo 1,1 mil. Ao todo, a guerra no Líbano já matou mais de 1,8 mil pessoas, ferindo outras 6 mil desde o dia 2 de março.
“Os hospitais continuam a receber relatos de corpos não identificados e partes de corpos que foram recuperadas”, disse Abdinasir Abubakar, representante da OMS no Líbano.
A organização ressalta que o pessoal médico, as instalações e o transporte são protegidos pelo direito internacional humanitário, alertando que, sem eles, o atendimento vital não pode ser prestado a tempo.
O Ministério da Saúde do Líbano registrou que até antes da última escalada, iniciada no dia 8 de abril, foram realizados por Israel 93 ataques contra unidades de saúde, matando 57 profissionais e ferindo 158.
Israel
Por sua vez, Israel não se manifestou sobre as ordens de evacuação dos dois hospitais em Beirute, mas o porta-voz do Exército vem acusando o Hezbollah de usar infraestrutura civil, incluindo ambulâncias e hospitais, para atividades militares.
“Caso não se pare com essa conduta, Israel agirá, de acordo com o direito internacional, contra qualquer atividade militar realizada pelo Hezbollah terrorista utilizando essas instalações e ambulâncias”, disse Avichay Adraee, porta-voz das FDI para mídia árabe.
A justificativa de Israel é rejeitada pela Anistia Internacional, que afirma que Tev Aviv não apresenta provas das acusações que faz, e que repete uma estratégia usada em Gaza, e no Líbano em 2024, de bombardear instalações médicas.
“Lançar acusações alegando que instalações de saúde e ambulâncias estão sendo usadas para fins militares sem apresentar qualquer prova não justifica tratar hospitais, instalações médicas ou transporte médico como campos de batalha, nem tratar médicos e paramédicos como alvos”, diz Kristine Beckerle, diretora regional adjunta para o Oriente Médio e Norte da África da Anistia Internacional.
A unidade do Procon Móvel de Sorocaba estará em dois pontos da cidade, na próxima semana, com atendimentos à população, sempre das 9h às 13h. Na segunda (13), o serviço estará disponível na Praça Coronel Fernando Prestes, no Centro, das 9h às 13h. Já na quarta-feira (15) e sexta-feira (17), a unidade permanecerá no Terminal São Paulo, que fica na Rua Leopoldo Machado, 259, no Centro.
Além do atendimento, a equipe da unidade móvel também prestará auxílio aos munícipes que desejam participar do Programa de Apoio ao Superendividado (PAS), bem como que pretendem renegociar suas dívidas.
O Procon Sorocaba, vinculado à Secretaria de Governo (Segov), da Prefeitura de Sorocaba, atua na proteção e na defesa dos direitos do consumidor, sendo importante veículo de valorização e respeito à cidadania. No Procon Móvel são feitos registros de solicitações e abertura de reclamações referentes ao direito do consumidor, além de feitas orientações e encaminhamentos.
O atendimento presencial também está disponível na sede do Procon Municipal, que fica na Avenida Antônio Carlos Comitre, altura do nº 331, das 9h às 16h, de segunda a sexta-feira, assim como em todas as Casas do Cidadão, das 8h às 17h.
O consumidor que tiver dúvidas, identificar ou suspeitar de irregularidades ainda pode acionar o Procon Sorocaba, por meio do WhatsApp: (15) 99111-7448 e do site: https://procon.sorocaba.sp.gov.br/.
Mulheres de todo o país passam a contar nesta sexta-feira (10) com leis de proteção mais abrangentes para casos de violência. O Diário Oficial da União desta sexta-feira (10) traz publicadas normas que tipificam crimes e ampliam a vigilância sobre agressores.
As medidas foram sancionadas nessa quinta-feira (9) pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e atualizam a legislação sobre o tema.
A Lei 15.382/2026 cria o Dia Nacional de Proteção e Combate à Violência contra as Mulheres e Meninas Indígenas, a ser lembrado em 5 de setembro.
Outra norma prevê o monitoramento eletrônico de agressores. A Lei 15.383/2026 altera a Lei Maria da Penha para incluir tal possibilidade, quando houver risco atual ou iminente à vida ou à integridade física ou psicológica da mulher em situação de violência doméstica e familiar.
Além dos casos em que for verificado o risco iminente à integridade física ou psicológica da vítima, a imposição da tornozeleira será prioridade nos casos em que houver descumprimento de medidas protetivas anteriormente impostas.
Violência vicária
A Lei nº 15.384/2026 tipifica o crime de vicaricídio, que é o assassinato de filhos e parentes como forma de punir ou causar sofrimento às mulheres.
Um dos casos mais recentes foi o do secretário de Governo da prefeitura de Itumbiara (GO), Thales Machado, que atirou nos dois filhos e se matou.
O apoio empresarial à ditadura no Brasil começa a ser revelado. Uma das empresas que deixou pistas dos vínculos com o regime de opressão é a Nestlé.
O episódio 2, chamado Caixa da segunda temporada do podcast Perdas e Danos conta a ligação entre a multinacional suíça e os porões da ditadura no Brasil.
Comprovantes
Apesar da atuação discreta, a gigante da indústria alimentícia deixou pistas do apoio dado ao regime de opressão no Brasil.
Como as contribuições feitas em nome da empresa, pelo executivo Gualter Mano, para o IPES, o Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais, um think tank conservador formado por empresários e militares e que ajudou a preparar o terreno para o golpe de 1964.
O Arquivo Nacional guarda os comprovantes das contribuições da Nestlé para o clube golpista.
Mas há outros indícios deixados pela empresa que revelam as relações com o regime opressor e que ligam a multinacional a OBAN, a Operação Bandeirantes, o maior aparato de tortura e morte do regime militar, uma estrutura clandestina que serviu de laboratório para implantação dos DOI-Codi pelo país afora.
A participação da Nestlé está no registrada na página 330 do Volume 2 do relatório final da Comissão Nacional da Verdade.
“Ficou conhecido o banquete organizado pelo ministro Delfim Netto no Clube São Paulo (…) durante o qual cada banqueiro, como Amador Aguiar (Bradesco) e Gastão Eduardo de Bueno Vidigal (Banco Mercantil de São Paulo), entre outros, doou o montante de 110 mil dólares para reforçar o caixa da Oban (…) Também colaboraram multinacionais como a Nestlé, General Eletric, Mercedes Benz, Siemens e Light”.
O executivo versátil
Um elo que até agora era pouco visível para os brasileiros tem nome e sobrenome: Oswaldo Ballarin. Pouco mais de um ano depois do jantar que garantiu o financiamento do aparato de tortura, Oswaldo Ballarin era o nome da Nestlé entre os empresários homenageados pelo chefe do Estado-Maior do II Exército, general Ernani Ayrosa, no final de 1970, pelo apoio à repressão.
Ballarin tenta isentar a Nestlé pela morte de bebês por causa do uso de leite em pó, durante audiência no Senado dos Estados Unidos, em 1978. Frame: Nestle Boycott/Youtube
Ballarin fez carreira na Nestlé. Começou na empresa ainda jovem e chegou ao cargo de presidente executivo entre 1971 e 1978. O brasileiro tinha tanta influência na Nestlé que foi a pessoa escolhida para representar a multinacional numa audiência pública que aconteceu em 1978, no Senado dos Estados Unidos, justamente para investigar a agressiva estratégia de marketing para promoção do leite em pó para bebês.
A facilidade de trânsito de Oswaldo Ballarin pelos governos militares garantiu a ele postos elevados e simultâneos em outra multinacional suíça. Ao mesmo tempo que ocupava o cargo de presidente executivo da Nestlé, ele também era presidente da Brown Boveri, entre 1971 e 1979.
A Brown Boveri (hoje, Asea Brown Boveri – ABB) é uma empresa de automação e eletrificação que atuou em grandes obras no Brasil, do Bondinho do Pão de Açúcar, no começo do século passado, ao novíssimo polo de produção de hidrogênio verde em Pecém (CE), passando pela maior obra de engenharia dos militares, a Usina de Itaipu.
A empresa integrou o CIEM, o Consórcio Itaipu Eletromecânico, um consórcio formado por empresas europeias, encabeçado pela Siemens, e que venceu a concorrência para a construção de Itaipu. O consórcio é alvo de denúncias de corrupção, pagamento de propinas e de burlar regras do contrato como a nacionalização da produção.
Turbina geradora de Itaipu: as turbinas foram fornecidas pelo consórcio CIEM, do qual a Brown Boveri fazia parte. Foto: Memória de Eletricidade/Divulgação
CIA
É na versão de executivo do setor elétrico que foi possível encontrar os vínculos mais fortes de Oswaldo Ballarin com os porões da ditadura militar no Brasil. Ele é acusado de ter contratado os serviços de agência de relações públicas de fachada, a CIA (Consultores Industriais Associados).
Além de ter a mesma sigla do serviço de inteligência dos EUA, a CIA atuava, na verdade, na vigilância de trabalhadores, perseguição de desafetos e organizando vaquinhas para equipar os aparatos de tortura do Estado.
Quem desencavou essa história abrindo os arquivos da Brown Boveri, na Suíça, foi a pesquisadora Gabriella Lima, da Universidade de Lausanne.
“Eles [o CIEM] tinham uma porcentagem das encomendas que tinham que pagar para o cartel [de eletricidade] para financiar a luta contra a oposição (…) eles chamavam Fundo de Luta Contra a Oposição, e foi aí que surgiu a questão da CIA”.
Em meio à documentação a que teve acesso, estava a denúncia enviada por organizações de direitos humanos ao Conselho Federal Suíço, o governo central do país, em 20 de novembro de 1979.
Um conjunto de 16 documentos mostrando as relações do CIEM com a CIA, batizada nos documentos como “serviços de organizações de tortura disfarçadas”, “esquadrões da morte” e “especialistas em tortura”.
O diretor da CIA era Robert Lentz Plassing, expoente da extrema-direita, que organizava contribuições para o regime e é listado no relatório final da Comissão Nacional da Verdade como uma das 377 pessoas responsáveis por torturas e assassinatos durante a ditadura.
Plassing integrou o DOI-Codi do Rio de Janeiro, onde era chamado pelo nome de Samuca.
Em setembro de 1979, Jean Ziegler, que ocupava uma vaga no Conselho Nacional Suíço foi explícito ao acusar Ballarin e a Brown Boveri, mas não esqueceu das relações do executivo com a Nestlé.
“Oswaldo Ballarin, executivo da Nestlé e atual presidente da Brown-Boveri em São Paulo, admitiu ter transferido regularmente e substancialmente fundos da empresa entre 1963 e 1978 para a empresa Consultores Industriais Associados. Oswaldo Ballarin (e a Brown-Boveri) são, portanto, culpados de cumplicidade em homicídio premeditado”.
Ballarin morreu em 1999 afirmando que sua relação com o Samuca do DOI-Codi era restrita às atividades de relações públicas da CIA.
Investimento garantido
Diferente da Brown Boveri, a Nestlé não permitiu o acesso de Gabriella Lima aos seus arquivos.
“Ela me recusou o acesso três vezes aos arquivos”, disse a pesquisadora.
Mas os números mostram que a empresa tem motivos para comemorar o período de opressão.
De 1971 a 1975, a rentabilidade da Nestlé no Brasil praticamente dobrou. Em pleno milagre econômico, o crescimento médio do Produto Interno Bruto (PIB), segundo o IBGE, estava na casa dos 9% ao ano.
O que para os padrões atuais é bem alto. Mas o faturamento da Nestlé conseguia ser ainda maior: na casa dos 12%, segundo levantamento feito por Antoinette Fredericq para o Centro Edelstein de Pesquisas Sociais.
Dumping leite em pó
Enquanto Ballarin era questionado no Senado dos EUA pela política da Nestlé de promover leite em pó, atrapalhando o aleitamento materno, aqui no Brasil o executivo tinha carta branca para dar “aulas” nas faculdades de medicina aos futuros médicos.
Marina Rea, pesquisadora e uma das fundadoras da Rede Internacional pelo Direito de Amamentar (Ibfan), assistiu alguma dessas “aulas”.
“O Ballarin deu aula na minha faculdade [a USP] sobre fórmulas infantis. Ele não era médico. Era um cara que financiava reuniões e, em troca, convidavam ele para lançar os novos produtos: ‘novas fórmulas que vamos lançar’. Terrível. Eu saí da faculdade sabendo mais prescrever fórmula infantil do que orientar o aleitamento materno.”
Em 1974, uma organização social da Inglaterra chamada War on Want publicou um relatório batizado como The Baby Killer (em tradução livre, Assassino de Bebês). E acusou as indústrias, começando pela Nestlé, de provocar a morte de crianças em países pobres.
Marina Rea explica qual era a estratégia da empresa no Brasil.
“A Nestlé utilizou promoções comerciais bastante efetivas no começo da vida. Uma fase muito grave, do ponto de vista fisiológico, para a amamentação ir pra frente ou não. As empresas sabem disso. No Brasil, o mais prevalente foi a entrada da Nestlé via dumping de leite em pó. Já que se você não disponibiliza, é claro que a mãe nem vai conhecer. E a outra forma foi entrar nas maternidades, buscando nos médicos um parceiro e entrar nas universidades era ótimo para isso”.
Hoje em dia, a empresa segue metida em controvérsia.
Em 2024, uma ONG suíça, a Public Eye, mostrou que produtos que a marca oferece para as crianças de países pobres são mais açucarados que os que vão para as crianças ricas, incluindo o Brasil.
Outro lado
Sobre as denúncias envolvendo o consórcio CIEM, a direção da Itaipu informou em nota:
“A execução do projeto teve início em 1975, em um contexto marcado pela Ditadura Militar Brasileira, quando práticas autoritárias resultaram na sonegação de informações e em violações à dignidade humana e aos direitos fundamentais (…) Atualmente, a Itaipu desenvolve iniciativas voltadas à promoção dos direitos humanos, com foco na igualdade de gênero, no fortalecimento de capacidades locais e na inserção dessas perspectivas na educação, além de incentivar a participação de mulheres em espaços de liderança e no desenvolvimento comunitário.”
A ABB, sobre as denúncias de corrupção e o financiamento da repressão, respondeu que “a Política de Direitos Humanos da ABB formaliza o compromisso da empresa e descreve a abordagem da ABB em relação à devida diligência em direitos humanos. Esperamos que nossos fornecedores respeitem os mesmos princípios e padrões internacionais de direitos humanos. ABB adota uma política de tolerância zero em relação a comportamentos antiéticos, incluindo qualquer forma de suborno ou corrupção (…)”.
A respeito de ter apoiado a ditadura no Brasil, a Nestlé enviou a seguinte nota:
“A Nestlé reconhece a importância de que esse período continue sendo debatido, dada sua relevância e impacto na sociedade. A empresa não compactua com práticas de repressão, discriminação ou violações de direitos humanos. A Nestlé reafirma seu compromisso com a democracia, com o respeito à diversidade de opiniões e com a promoção da liberdade de expressão, bem como com o respeito aos direitos de seus colaboradores, parceiros, consumidores e da sociedade em geral”.
Questionada se, após 60 anos, a empresa estaria disposta a abrir os arquivos, a equipe do podcast não obteve resposta.
A unidade itinerante “Van do Emprego e Qualificação” estará em nove pontos da cidade entre os dias 13 e 17 de abril. Vinculado à Secretaria de Relações do Trabalho e Qualificação Profissional (Sert) da Prefeitura de Sorocaba, a Van do Emprego e da Qualificação Profissional recebe o morador que está em busca de contratação no mercado de trabalho, da mesma forma que ele é atendido na Casa do Trabalhador/Sine Municipal, no Centro, ou em uma das Casas do Cidadão, ampliando, ainda mais, o acesso do sorocabano às oportunidades de emprego.
Na segunda-feira (13), das 8h às 11h, a Van do Emprego e Qualificação estará disponível no Terminal São Paulo, que fica na Rua Leopoldo Machado, 259, no Centro; e das 13h às 16h, no Terminal Santo Antônio, localizado na Avenida Dr. Afonso Vergueiro, 733, no Centro.
Na terça-feira (14), das 14h às 16h, a unidade itinerante da Casa do Trabalhador/Sine Municipal estacionará no Projeto Elevar, localizado na Avenida Itália, 699, no Jardim Europa.
Já na quarta-feira (15), das 9h às 12h, a Van do Emprego e Qualificação ficará em frente à Unidade Básica de Saúde (UBS) Mineirão, que fica na Rua Tenente Érico de Oliveira, 110; e das 14h às 16h, no Supermercado Santo, localizado na Rua dos Ales, 1.109, no bairro Barcelona.
Na quinta-feira (16), a Van do Emprego e Qualificação estacionará, das 9h às 11h, no Centro de Referência em Assistência Social (Cras) São Bento, que fica na Avenida Dr. Gualberto Moreira, 1.031; e das 14h às 16h, na Praça “Alberto Sarti”, localizada na Avenida Bandeirantes, 3.871, em Brigadeiro Tobias.
Por fim, na sexta-feira (17), das 8h às 11h, a Van do Emprego e Qualificação estará na Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp), que fica na Rua Terêncio Costa Dias, 300, no Parque Santa Isabel; e das 14h às 16h, no Parque dos Espanhóis; localizado na Rua Dr. Campos Salles, s/n, na Vila Assis.
A Casa do Trabalhador de Sorocaba/Sine Municipal também realiza atendimentos sem necessidade de agendamento prévio em sua unidade fixa, situada na Rua Cel. Cavalheiros, 353, no Centro, funcionando de segunda a sexta-feira, das 8h às 16h, assim como nas Casas do Cidadão, portando carteira de trabalho, CPF e RG. Além disso, os interessados poderão enviar currículo pelos computadores disponíveis para uso da população na Casa do Trabalhador/Sine Municipal.
A Prefeitura de Sorocaba igualmente disponibiliza os serviços da Casa do Trabalhador para todo cidadão que deseja realizar a consulta sobre vagas de emprego. O munícipe que desejar ainda pode contatar a Casa do Trabalhador de Sorocaba pelo WhatsApp: (15) 99149-2474.